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Coisa, Crônica, Diário, Vida

Três Minutos

São três e trinta e sete da manhã. Noite quente de verão, na rua passa dos 30 graus. Acordei a pouco devido ao calor, minha mente não conseguiu aliviar a tensão e se permitir cair nas graças do inconsciente.

Faz tempo que não escrevo, os dedos parecem estar um tanto quanto enferrujados. Uma gota de suor roda por de trás do meu joelho e chega rápido ao meu calcanhar. São três e quarenta da manhã, já tomei um banho gelado e nada. Sempre durmo nu nessa época do ano, qualquer micro centímetro de tecido além do lençol faz com que meu corpo mine.
 
Noite turva hoje, não consigo ver o céu direito, mesmo com as luzes apagadas do lado de fora, poucas estrelas brilham. Volto pra frente do ventilador, são três e quarenta e três, eu aumento a sua potência e sinto o vento artificial brincar com os pelos do meu peito.
 
Caminho até a geladeira e procuro por algo que não existe, ansiedade, acabo por me contentar com uma imensa garrafa d’água. Engulo tudo e deixo escorrer um pouco pelo meu corpo, confesso que desde criança amo a sensação d’água gelada encontrando o caminho pela minha pele até o chão. São três e quarenta e seis.
 
Já escrevi tantas histórias ao passar dos anos, chega uma hora que parece que seu corpo seca. São três e quarenta e nove. As histórias não fazem mais parte de ti, talvez seja hora de ser menos Frida Kahlo e mais Salvador Dalí. Talvez … 
 
Minha bateria logo vai acabar, acho bom ficar por aqui. São três e cinquenta e dois de uma madruga tão quente que me despertou.
* Imagem por Derek Fernandes.
Amor, coisas, Diário, Vida

Notas de um diário

Querido diário,

Hoje eu acordei e me dei conta de que amar é mais complicado do que se parece, mas mesmo assim Sartre faz sentido quando diz que é possível amar mais de uma coisa ao mesmo tempo, mas o que torna isso um ‘amor verdadeiro’ é acordar todos os dias desejando estar com aquele amor, mesmo continuando amando os outros.

Então eu penso que amo, amo tantas coisas que por momentos eu acordo e não sei mais o que eu amo mais, mas sei que com o tempo eu percebi que às vezes você abre a mão de um amor para vivenciar outro. Isso não torna o antigo amor menos amado, ou menos importante. É uma questão de vida, de escolha mesmo, minha escolha.
Sendo assim a minha vida é responsabilidade inteiramente minha. Sou eu que escolho todos os dias pra onde ir, o que fazer, quem ser… O que amar. E é por isso que eu disse que amar é mais complicado do que se parece. Sei lá, você entende o tamanho desse poder?
Eu já abandonei alguns amores. Eu já fiquei completamente perdido, sem saber a qual amor dar atenção e me desesperei, mas eu também já fiquei assim de novo e me senti bem. Dessa segunda vez era como se eu soubesse que estava tudo bem em não saber para onde se vai.
Nesse dia eu parei de forçar as coisas, fechei os olhos, respirei fundo e assumi meu estado de perdido. Hoje eu sei qual amor seguir, um amor que eu conheci na infância, quando eu tinha menos de oito anos de idade. Parece besteira, mas lembrar daquele dia tem me trazido momentos de uma nostalgia boa, e tem me feito lutar, trabalhar, ralar mesmo; para conseguir estar com esse amor novamente.
Não se ama só pessoas, se ama coisas, estados, lugares, comidas, etc.
Ama-se por completo.