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Medeixa

Mouvement I (Kandinsky)
Deixa-me contemplar o mar sem presa de voltar pra casa
Deixa-me sentir as ondas quebrando em meu peito
Deixa-me sentir a brasa me aquecer em vida
Quero este estado de pensamento e corpo livre
Sentir o pé afundar na areia como a mão de uma francesa que afunda num saco de feijão
Quero o cheiro de tempero do mercadão
Sentir na língua o gosto da sua pele morena salpicada com páprica picante
Deixa-me fundir os meus sentidos e viver assim como Epicuro quis
Deixa-me ver a lua brilhar solteira no céu azul
Deixa-me brincar de ser feliz
Como cada gota de orvalho que chegando ao chão se explode em euforia. Pequenos fogos de artifício.
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Uma carta para “O” macho

 

Vejo homens perdidos entre suas próprias espadas, lançando tiros de espingarda, cuspindo no chão. Ser macho é isso então? Um punhado de feições rudes e ásperas desilusões.

Ser homem é isso então? Pois então, sou homem de contramão. Não preciso ranger meus dentes para me mostrar valente.

Tirar seu sangue a murros, me expor em alguns muros, suar e estar sujo. Ser pai é isso então? Fugir da mãe pra puta e depois voltar correndo sem ter coragem de dizer qual mulher que quer na mão. Ser ômi é isso então?

Arrancar os dentes de algum demente, partir a foice corações como quem estripa uma mulher. Seu pau serve pra isso então?

Aos homens brasileiros, machitas, violentos, desrespeitosos e normativos. As mulheres brasileiras que se permitem o soco sem requerer justiça e espalha o orgulho de um filho macho pelo mundo. Aos pais que sangram as doenças entre as coxas de tantas outras. As mães que mostram as suas filhas as sete formas de se ter um homem que não lhe respeita, mas te alimenta.

Ao povo que assiste a este massacre calado, que não se levanta contra as ondas sangrentas do machismo tupiniquim. A população que permanece calada e assiste sentada as mortes frias da televisão.

Não preciso de pinto, não preciso ser homem, não preciso estar macho… Me conjugo em outro verbo caso seja necessário.

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Uma carta para o ano que vem.

Existem pessoas e situações que te gritam cheque. Estes fazem movimento na vida, a essência sutil e tênue da vida. Penso em alternativas que impeçam o mate.

Ralamos muito ao longo das nossas vidas, vidas consumidas em anos. Anos que voam muito nos dias de hoje, dizem os jornais, mas acho que sempre foi assim. Estes anos sempre passaram rápidos, nós é que dávamos menos valor a isso.

Quando você começa a perceber as folhas caindo como em um outono acobreado, você se percebe maduro e amadurecendo. Como uma boa garrafa de vinho é necessário tempo para ficar pronta e completar um brunt sofisticado, seguido de uma textura cheia de personalidade. O mundo é governado por sábios.

Evoluir, se tornar melhor, viver… Não é uma questão de ser bom ou mal, de fazer é coisa certa. Não sei se as nuvens no céu tem este preço de benevolências, mas penso no quão fantástico um ser humano pode se tornar. Deixar sua marca no mundo não é fácil, minha avó não lançou livro, filmes, receitas. Mas meu mundo se encontra repleto de suas marcas e histórias.

São essas as peças que contam, passei por muita coisa assim como a todos durante este 2011 e gostaria de aprender ainda mais o valor do silêncio. Namastê.

Liniers Macanudo
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Rascunho

A luz azul que entra pela janela sobe pelos seus calcanhares iluminando suas costas nuas. No seu rosto resta a penumbra azulada que não te incomoda o sono.
Entre as rápidas dedilhados no teclado procuro te desenhar em letras que te comportem a margem. Rabisco, risco e apago esse rascunho de situação impensada. Fotografo-te nas minhas sentenças loucas e te transformo em devaneio leve, em sonho que encanta os olhos.
Piano e voz ao fundo, a guitarra jogada no quarto e você ai deitado permitindo meu dibujo textual, sem ao menos perceber que te dispo a cada palavra.
Seu colo branco me recebendo vivo, seu silêncio mudo a me olhar nos olhos, copos espalhados e o cinzeiro cheio. Visto-me sem fazer barulho e saiu te deixando seu rascunho pendurado.
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Atrás da multifacetada Catedral da Sé a calçada larga abriga ícones da história paulista.
O antigo terminal virou floricultura enquanto o sebo do Messias e seu samba chuvoso convidam aqueles que andam sem pressa a conhecer seu aroma próprio de livros com páginas amarelas.
A matriarca Santa Tereza que já passou pelas suas plásticas, mantém a classe de um tempo de outrora. O café negro pelando no shot expresso solta um gosto de república Café com Leite.
Escrevo sentado neste balcão que já abrigou tantas histórias, na minha frente um senhor com seus cabelos prateados alinhados toma sua taça de vinho rubro. Prefiro o clássico as nove horas da manhã, um pão na chapa de acariciar o céu da boca e uma boa média nada requentada. E nesse jogo de criar mundo com palavras Adoniram Barbosa se faz presente enquanto a caneta escorre pelo papel sem pauta.
Essa cidade expressa tem seus encantos para quem se rende a dança de passos lentos nas calçadas largas da paulicéia. Óculos escuros e bolsa nos ombros, me permito o baile entre Art Noveau, flores e concreto, lado a lado com o passado entre os espaços vazios que o centro me oferece na sombra dos gigantes de pedra com mil olhos vidrados.