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Nome da Coisa Posts

Geração Coca Zero*

Vivemos numa geração de esperas, num intercambio de idéias e conceitos, estamos no meio de tudo isso e tudo isso está no nosso meio.
Recebemos tantas informações que não administramos nem metade delas. Não sabemos quem somos o que somos e no fim não temos nem certeza se o som se propaga no vácuo.
Não têm como não associar a imagem do filme da Disney “Alice no País das Maravilhas” em que muitas setas dominam a paisagem, com a realidade do jovem atual, é um mundo de consumo exagerado de informações rápidas, conflitos internos por coisas cada vez mais complexas e detalhistas, somos como uma poeira em frente ao aspirador. Não sabemos do nosso destino, não sabemos por onde começar. Enquanto no passado os jovens lutavam por um mundo melhor, hoje vivemos nesse mundo construído com a missão de construir um próximo, num ciclo infinito de destrói e constrói. Moramos sozinhos, seja num apartamento no centro, seja num quarto na casa dos nossos pais, vivemos independentes e dependentes de nos mesmos e de tudo a nossa volta. Não sabemos que caminho tomar, mas sabemos dos que não queremos, muitos acabaram cedendo ao que vai acabar com a sua felicidade, outros vão até o limite pra se sustentar pra ter a absoluta certeza que não se venderam que não perdeu seu ideal, que é feliz que é livre, mas esse caminho tem pedras e espinhos, esse caminho machuca, esse caminho marca e exatamente por isso muitos dirão que não vale a pena, mas talvez seja isso que faça valer a pena. Enfim é assim vivemos, em eternos conflitos, numa época de perigos constante, perigos físicos, perigos psicológicos, perigos farmacêuticos.
Esse é o retrato de uma sociedade que cresce tanto a margem com dentro dessa sociedade tumultuada que vivemos hoje.

*Alusão ao titulo da música “Geração Coca-Cola” de Renato Russo.

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Queerfest

Lembra do “Abaixo as roupas íntimas!”, pois então, tudo isso se repete, passa-se um ano e lá estamos de novo.
É agora em março dias 15 e 16 que rola mais um edição do queerfest, o primeiro evento de queercore do país.
Na minha primeira postagem sobre o evento eu falei sobre o surgimento desse movimento e um pouco sobre a idéia do evento, e hoje vamos falar mais sobre a idéia dessa edição. O evento busca uma temática de extrema importância, o Mercado, a Política e a Transgressão. Buscando sempre a liberdade de gênero, a desconstrução desse corpo formado por uma sociedade heterosexista que gira em torno de um capital mais importante do que as várias vidas que nos cercam. Contando com debates, oficinas, shows e festa o evento traz a tona uma série de questões que são caladas todos os dias por nossa sociedade. Não esquecendo da filosofia “faça você mesmo” que predomina por todo o evento, dessa fez contando com nomes como: Nerds Attack(SP), Solange tô Aberta(SSA) e Lixo é Luxo(ES). Com oficinas de estêncil entre tantas outras coisas. O Vídeo Paperdoll também é uma atração do evento. Então é isso, pra quem já foi se prepare para ir de novo, pra quem não foi vale a pena conferir. Pra quem mora fora de São Paulo, arrume um caravana e venha, já tem caravanas saindo de Curitiba e Vitória, então não tem desculpa, bora lá.

“Dançaremos ao som da queda da cultura simbólica e celebraremos o troca troca de experiências de vida e de luta. Não há masculino. Não há feminino. Seja Livre. Saia do mapa das categorias”. – Retirado do site do evento.

Links:
Queerfest
Van de Vitória
Van de Curitiba
Fotos do último Queerfest


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Mutunaz

Você já leu um quadrinho? Nunca leu? Adora as histórias e os enredos de suspense que sempre estão presentes? Enfim quem não gosta de realidades alternativas.
Homem-Aranha, Batman, Sandman, X-men. São alguns dos quadrinhos mais badalados cada um com o seu motivo especifico e é justamente em X-men que se tira a inspiração para um quadrinho que vem atingindo grande expectativa de alguns leitores.
No momento um HQ virtual, mas com um potencial incrível pela frente, com um enredo envolvente e uma história surpreendente, Mutunaz de autoria do designer Adams Rebouças, vem conquistando um espaço considerável entre os leitores. A idéia nasceu em uma comunidade sobre X-men no orkut, os heróis, ou melhor anti-heróis dessa história são baseados nos integrantes dessa comunidade e da atual comunidade do próprio HQ, assim como outras facções supers e alguns personagens secundários. Em sua trama trás uma carga política muito forte, alem de ideais de liberdade para as minorias supers, em seu primeiro episódio os integrantes do grupo raptam os Ministro JJ, o único que sabe a localização do Contêiner 2, uma prisão clandestina para supers; utilizando meios nada ortodoxos para conseguir a informação; e assim começa a trama de uma história que acaba de chegar ao fim do seu primeiro capitulo, formado por 5 edições, que com certeza vai surpreender a todos.
Por isso vale a pena dar uma olhada, você pode achar as revistas para downloads no site oficial do HQ [Mutunaz] e com isso acompanhar os próximos acontecimentos que promete muita pancadaria, traições e lutas por liderança e vingança, eu acho melhor você não perder. Ah! Quem sabe você não me encontra em uma das páginas, e ai vai agüentar a curiosidade?

Outros links:

Blog
Orkut

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Ponto G.

Que o lesbianismo faz parte do grande imaginário erótico masculino todos sabem, alguns até imaginam que não serão bem-vindos, outros nem se mancam.
Parece difícil de entender, mas garanto que também é difícil de escrever, um homem falando sobre mulher, o que diriam então de uma gay falando sobre lésbicas.
Vivemos num país hipócrita e bla bla bla. Tudo o que todos sabem, e a maioria esconde, dizemos e muitos lá fora acham que somos liberais na questão sexual, mas o fato é que grande parte da população ainda convive fielmente com o “papai e mamãe”. Dizemos que não somos racistas, usamos a desculpa da miscigenação, mas o que é fato é que todos têm preconceitos, isto está enraizado na nossa cultura e deve ser combatido, mas enfim voltemos ao enfoque inicial. Por mais que o lesbianismo seja de forte apelo erótico (creio que graças a mídia pornográfica.), elas são deixadas de lado quando o conceito erótico sai de cena, a prova disso é simples, o universo gay tem mais visibilidade do que o universo lésbico. Lésbicas sofrem tantos preconceitos se não mais, e agressões assim como os gays, só que parece que uma parede invisível impede essas informações de serem vinculadas. Sabemos que o ser humano tem medo do que não conhece, logo luta contra, e essa guerra dos sexos machuca, e não só os homossexuais. Mas também é verdade que existe um machismo dentro do meio homo, alem do quesito “bicha e bofe” já muito abordado em inúmeras publicações, têm o machismo lésbico (que não sei se pode ser encarado dessa forma, mas enfim.), muitas lésbicas tentam tanto combater o preconceito na sociedade que esquecem de olhar o preconceito em si, já vi inúmeras vezes gays sendo enxotados ou “tirados” por lésbicas, por serem efeminados, ou simplesmente por serem homens e não estarem na “altura” das mulheres, o que gera um machismo oposto não? (uso o termo machismo mais pelo que ele representa do que pela gramática em si) Um dado importante é que a violência dentro de casa vem aumentando entre as lésbicas. Claro que isso não é geral, ainda bem são raras as vezes que isso acontece, mas o fato é que isso acontece. Outra coisa importante, os travestis masculinos e os transex masculinos, também têm uma causa, pouco conhecida e que devia ser mais vinculada, ser conversada no dia-a-dia, a “visibilidade trans” é um conceito que atualmente se faz presente em grandes debates dentro da comunidade GLBT.
Enfim, fica por aqui, talvez meio vago ou sem fim, mas é que na verdade ainda espero por um fim, por isso deixo tudo meio aberto, nada de laços finais, é uma coisa pra se pensar, pra se comunicar, pra ser assunto em mesa de bar e até de jantar, então vamos fazer assim em forma de apelo, conselho, ou seja lá o nome que você queira dar, faça-se um questionamento pelo menos uma vez ao dia, quem sabe assim alguém não muda, nem que esse alguém seja você, temas é que não vão faltar.

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Anansi do Brasil

 

Solano Trindade, homem, mestiço, negro, militante de sua causa, poeta por excelência, não era de se esperar que fosse o principal nome da literatura (poema) afro-brasileira.
Nasceu em Recife/Pernambuco, no dia 24 de Julho de 1908, filho de sapateiro e de quituteira, Solano vem de origem humilde, trabalha em diversas áreas, desde operário até escritor e poeta, completou um ano de desenho no Liceu de Artes e Ofício e lá pelos anos 40 muda-se para São Paulo, onde vive grande parte da sua vida, morre no Rio de Janeiro, em 1974.
Num País onde há tanto preconceito e racismo enrustidos em nossa cultura, onde os principais escritores negros da história escreviam e agiam como brancos, temos Solano Trindade, que defendia seu ser, que lutava pelo que acreditava, e como todos que assim fizeram, sofreu as consequências, mas não deixou de lutar. Fundador da Frente Negra Pernambucana e do Centro de Cultura Afro-brasileiro (1936) – entidades que tinham a finalidade de divulgar os intelectuais e artistas negros. Em São Paulo cria o TPB – Teatro Popular Brasileiro. Escreveu “Poemas de uma vida Simples” (1944) e “catares do meu povo” (1963).
Ele que ao meu olhar é um exemplo de que ainda vale a pena lutar pelo que se acredita, que quando se cai só nos resta levantar, faço algo que ainda não tinha feito aqui no Nome da Coisa, em forma de uma curta bibliografia mostrar um pouco do trabalho desse artista das palavras e da verdade.

 

TEM GENTE COM FOME – Solano Trindade

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Piiiiii

Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá

trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer

Mas o freio de ar
todo autoritário
manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuuu.


Fontes:
– http://www.portalafro.com.br/literatura/solano/solano.htm
– http://pt.wikipedia.org/wiki/Solano_Trindade
– http://www.quilombhoje.com.br/solano/solanotrindade.htm

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