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Nome da Coisa Posts

Quiromancia

Quem sabe o que é um poeta? Quem são? Onde vivem? Do que se alimentam? Como se proliferam? A gente não encontra essa resposta no Globo Repórter.
 
Pesa-me as mãos entre as teclas. Não escrevo a muito tempo, deixei minha voz calar na esperança de ignorar a verdade. Não escrevi sobre você, pois sabia que ao faze-lo descobriria seu distanciamento, por isso calei-me.
 
Meu poema pra mim é como a palma de uma mão, onde eu sou a cigana com calos, rugas profundas e cheiro de almíscar. Leio meu futuro e meu passado, entendo meu presente. Entre minhas estrofes sem ordem ou cadência eu me vejo no vagar dos dias. Por isso calei-me, por isso deixei meus dedos mudos nesse tempo em que ficamos juntos.
 
Via a distância dos teus olhos, e sentia tua dificuldade em se entregar pra mim. Também vi você lutar por mim quando a rainha já estava caída, você não gosta de perder.
 
Me conheço, sincero, entre meus versos, cada palavra que solto, escrevo, é uma pedaço de mim que sai. 
Hoje acordei escrevendo sem medo os rascunhos que a muito guardei, minhas dúvidas não cessaram com meu silêncio. Então despi minhas verdades diante das teclas, e deixei fluir meu veneno. Espalhei minhas lágrimas trancadas e deixei a baba escorrer por entre meus lábios. Chorei.
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Prece

E se um dia você acordasse e todos seus sonhos fossem verdades?
E se um dia você acordasse e todos seus sonhos fossem mentiras?
E se um dia você acordasse e todos seus sonhos fossem sonhos?
E se um dia você não acordasse?
 
Ao norte vontade 
Ao sul realidade.
A cabeça segue equilibrando o desejo e a veracidade.
 
Meu mundo não cabe aqui.
 
Sou esmagado pelo meus anseios
Sinto o tempo desacelerar.
 
Tempo é o que mais tenho e mesmo assim não freio
Talho meu caminho a força, desencadeio
Tempo, falta um tanto ainda… Eu sei.
 
Então entre cortinas vejo a vida
E percebo o mundo girar
Enquanto eu corro
Eu não saiu do lugar.
 
Preciso aprender a caminhar lado a lado com o mundo
Preciso aprender a caminhar lado a lado
Preciso aprender a caminhar de lado
Preciso aprender a caminhar
Preciso aprender
Preciso.
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Um sábado qualquer…

Hoje acordei meio zonzo. Na verdade acho que ainda estava dormindo, meus olhos colados provocavam meu tato em busca do celular, o mundo gritava enquanto eu dormia, mas eu não acordava.
 
Tentando me encontrar no meio de tantas ocorrências uma janela se abre, minha visão se organiza em focos. Bom dia, dizia ela. Me chamava para tomar café em sua companhia. Eram sete da manhã de um sábado frio, mas ensolarado.
 
Vesti-me de forma a ficar bonito pra ela, era um jeito bobo e simples de presenteá-la pelo convite para o café matutino, caminhei pelas ruas vazias e molhadas pelo orvalho. Corpos destacavam-se e bamboleavam pelas calçadas do centro. Cachorros alvoroçados pulavam. Ela estava para no jardim, olhei pra ela xingando-a com um sorriso no rosto. Braços se entrelaçaram.
 
Comemos, tomamos, conversamos, rimos e enquanto tantos dormiam nossas vozes rasgavam o silêncio calma da manhã. A cidade despertava aos poucos, como se enrolasse na cama ainda tentando dormir. Nós rimos.
 
Numa das esquinas do centro nos despedimos, caminhei pelas ruas ainda molhadas pelo orvalho, organizei a casa, acendi um incenso e pela primeira vez a muito tempo me senti pleno de mim.
* Imagem por Leco Vilela.
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Esquizofrenia

Ele gostava de deitar com as pernas pra fora da cama e apoiá-las na janela, sentir o vento nos pés. Quando fechava os olhos este ato lhe dava a sensação de voo e assim ele sua cabeça recheada de problemas encontrava o silêncio.

Os pelos da sua perna arrepiavam conforme a brisa chegava, e quando abria os olhos via a copa das árvores balançando com ele. Gostava de se sentir assim, integrado com algo maior.

O Sol percorreu seu caminho e aquele homem se mantinha parado na mesma posição, abrindo e fechando os olhos em longas pausas. Era tudo o que ele poderia querer encontrar paz dentro dos seus delírios.

Ele ouvia vozes que não eram dele, tantas vozes que tornava impossível ouvir a própria respiração, mas neste ritual ele se encontrava. Era como se os sons voassem com o vento.


Para longe. Bem longe.

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07 de Março de 2014

Querido Diário,

Já faz quatro meses que eu estou desempregado, o primeiro mês foi sabático, necessário depois de trabalhar um ano inteiro em dois empregos para conseguir me arrumar em uma nova cidade.

Os outros três não foram por minha escolha. O duro de ficar tanto tempo em silencio, profissionalmente, é que você começa a questionar suas próprias habilidades laborais. Definitivamente somos nossos piores inimigos.

Depois de um tempo você começa a pensar em formas criativas de conseguir dinheiro, como vender qualquer coisa vegana nos eventos públicos de Porto Alegre. (risos). A verdade é que você ficar desesperado, não só pelas contas que sempre chegam o que todos nós sabemos, mas pelo marasmo do seu dia.

Escrever, sair pra fotografar, cozinhar, correr, você começa a ocupar seu tempo e quando percebe você não está com vontade de fazer nada daquilo, você só quer que a chuva passe e o emprego apareça.

Tenho 26 anos, já trabalhei com eventos, teatros, bares, agências, televisões, revistas e por ai vai e mesmo assim ainda me sinto um iniciante quando tenho que procurar um novo emprego. Alias, já inventaram um cargo em que sua experiência de vida paga bem? Se sim, eu to querendo! Por que se tem uma coisa que eu posso garantir é que eu sou rodado nessa vida, não tanto quanto eu gostaria, mas tenho minhas histórias pra contar.

Obrigado por me ouvir mais uma vez, meu querido Diário, eu estava precisando disso.

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