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Nome da Coisa Posts

Um ensaio sobre o vazio


Às vezes a gente acorda suado, meio revirado, sem saber onde está. Demora um pouco para o olhar focar e nos reconhecermos. Nesses milésimos de segundos nós não somos nada, somos a ausência de tudo, somo uma sala vazia.

É nessa dúvida legítima sobre o sentido que tudo se desmancha e se reconstrói. Às vezes a vida é uma merda e não temos ideia de pra onde vamos, mas a verdade é que nosso vazio é nosso. A cada dia que eu acordo, eu preencho meu vazio com todo o meu passado.

Essa não é uma história com personagens e tempo cronológico, é um desabafo escrito de um mente conturbada.

Hoje meu vazio durou mais do que milésimos, estiquei meu vazio em horas e provoquei a completa ausência de mim. Coisas simples me fizeram sorrir.

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Eco

Ao acaso um convite, a ausência de uma voz e a necessidade de um tempo. Disse sim. O nervosismo antes do palco, o descontrole da bexiga, a respiração descompassada e meu nome soa no microfone.
Apresento-me desajeitado e tento na medida do possível conversar com todos ali sentados, como se tivesse entre amigos. Tantos olhares. Respiro fundo.
Primeiro o título, depois o parágrafo e assim se faz.  Nas risadas deles enxerguei um humor invisível pra mim. Achei graça em ter graça com frases simples.
Foram alguns minutos, rápidos minutos, que me estamparam um sorriso no rosto. Ainda guardo a sensação das minhas bochechas rubras.
Entre estranhos e conhecidos, li pela primeira vez meus mais secretos segredos. Compartilhei pedaços de mim, me ecoei.
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Miopia


Ficava parado olhando pela janela as pessoas passarem.

Via corpos nômades e buscava um traço comum aos meus olhos.

… Te esperava.

Tinha o hábito de insistir, não importa muito em que, mas sempre fui de insistir. Por isso, passei tanto tempo impondo meus desejos e lutando para faze-los realidade. 

Talvez tenha me acostumado a ser assim, insistindo em você.

Via em você algo que eu queria tatuado em mim.

Miopia é uma anormalidade que só permite ver os objetos a pequena distância do olho.

Acho que meu olho aprendeu a te ver por aqui.
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Poema

Eu tenho procurado a poesia em cada esquina e talvez esse seja meu erro trágico. Poesia não se encontra em cada centímetro de rua, essa demonstração de si através das palavras, não está somente em uma parede branca e lisa.

Existem concretos tortos que abrigam um número infinito de verbos bonitos para ser mostrado. Ainda há aquele muro escuro e isolado que entre seus tijolos guarda o ritmo leve e a cadência áspera de um bom poema.

É incrível a capacidade humana de enxergar sua própria poesia em pessoas inóspitas. A capacidade de se perceber projetor é um degrau a mais na escala do tempo, espero por isso agora.

Aguardo também pelo dia em que enfim encontrarei substantivos com gosto de mar, não meus, mas  sim aqueles que reverberam leve por cada poro de um corpo sem sexo.

Enquanto esse dia não chega, me contenho com os livros, o vento e a grama molhada.
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Paira

Eu gostaria de falar sobre o que se passa dentro de mim, sobre minha infância gritada, sobre meus sonhos confusos, sobre minhas coisas espalhadas. Existe um silêncio em mim.

Quando me olho no espelho e a dúvida paira pelos meus olhos e o reflexo turva com a minha respiração. Existe uma sombra do outro lado de mim, meu avesso, minhas loucuras.

Eu tenho caminhado cansado por entre as ruas, cantando alto aquelas músicas de chuva e bebendo vinho pra poder dormir. Minha alma inteira sem saber pra onde ir.

Minha palavra cala antes mesmo de existir. Estou seco de palavras e simplesmente, não sei pra onde ir.

Falta-me o ar.

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