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Nome da Coisa Posts

Antônio

Antônio era assim, branco de seus 35 anos e cara de poucos amigos. A barba rala lhe dava um ar largado, facilmente confundido por vagabundo pelas senhoras da boa sociedade. 

Antônio era dono de uma loja de discos, no centro da cidade. Reduto da juventude que a muito tempo ele deixou de contemplar. Vivia assim, ouvindo seus LP’s e conversando sobre música com as poucas pessoas que ele suportava.

Antônio não tinha filhos e nunca havia se casado. Seus pais moravam em outra cidade e secretamente, ele gostava disso. Agora ele estava numa fase meio blues e ouvia de tudo, mas sua favorita ainda era a Bessie Smith, embora ele não admitisse em voz alta.

Antônio era chato. Ele não gostava das coisas que a maioria gostava e tinha lá suas manias. E pra ser sincero a única coisa que fazia Antônio sorrir, era quando a calcinha que usava por de baixo da calça jeans, atolava.

Assim vivia Antônio, com a calcinha cavada no cú ao som de “St. Louis Blues”.
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O texto sem fim

E se eu estivesse preso a algum conceito ultrapasso de felicidade? E se o mundo não fosse aquilo que eu sempre pensei que fosse.

Sou uma roleta russa, uma arma, uma bala e muitos lugares pra ir.

O peso de se fazer o que se ama.

O que se ama?

Seria errado ainda não saber o que se quer ser quando crescer? É muito “erre” numa frase só.

Penso de mais sobre essa tal estabilidade e mesmo sabendo que é uma farsa, eu não sei como ignorá-la. É persistente e permanente. O tambor roda e na minha testa o gelado do cano anuncia, sem bala.

Quando eu acho que eu me encontro, logo percebo que me perco. Silêncio.

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Sou

Sou aquele que não chora e que não pode chorar.
Sou aquele que te entrega a rosa, mas nunca recebe.
Sou aquele que assim como outros milhares, apenas fornece o pão.
Sou aquele que quando o pau falha tem a identidade roubada.

Sou aquele que sempre precisa estar ereto, mesmo quando não tenho vontade. Sou o mágico ser que está sempre pronto para te atender nos seus anseios e desejos, mesmo quando eu não tenho vontade. Sou o ser que só goza, mesmo quando eu não tenho vontade.

Eu sou um homem que como outros homens, fui limitado. Você veste minhas roupas enquanto eu só posso ficar nu.

Sou o sexo forte, que supostamente deveria arcar com a vida de uma família, mesmo ainda sendo um menino. Sou o forte que viu milhares de iguais morrerem nas trincheiras. Sou aquele que diante da morte deve entalar as lágrimas e cavar a fossa.

Sou a pessoa que há 2013 anos está presa a convenções que me incitam a digladiar. Sou aquele que é medido por números, posses e centímetros. Sou apenas um velho rico, um garanhão jovem e uma conta corrente ativa.

Sou eu que mesmo sofrendo com a vida que levo, devo engolir o choro e nunca!… NUNCA! Mostrar-me frágil, correndo o risco de ser exposto ao ridículo julgamento social e ser tomado como fraco, não importa quantos leões eu tenha matado.

Sou pai, filho, avó, primo, tio, estranho, homem do saco, palhaço, bandido, marido, neto, padrinho, afilhado, sobrinho, puto, vadio, viado e bicho.

Carrego na minha garganta o sinal da minha maldição, osso do meu antepassado, que pra não ficar sozinho, cedeu até uma costela.

Sou o deus de uma sociedade hipócrita, que não aguenta mais os espinhos.

**Texto produzido para a terceira edição da Revista Rosa.
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Entre cores e contrastes

Houve um tempo em que em minha inocência eu levava tudo em preto e branco, dicotomia simples e direta. Assim levava minha vida, objetividade dura. Sem nuance e sem profundidade na trama, corria pra que o tempo de amanhã chegasse antes do final de hoje.

Eu costumava terminar coisas antes mesmo de começa-las, amores, filmes, livros. Devorador inquietante. Vivia entre muros concretos buscando a não dor. A ausência do sofrer. Pasmem, mas pessoas que muito sofreram tendem a não querer sofrer mais. E nesse esconde-esconde de mim mesmo fui percebendo que ao fugir do sofrer eu me privava de vida. Autoflagelação. Ao fugir da dor eu mesmo a aplicava na veia.Primeiro eu mudei de muro, fui pra longe, pra muros novos. Depois comecei a derrubá-los aos poucos e deixando a luz entrar e banhar meus olhos.

Quando acostumados com a dureza do preto e branco, os olhos doem ao ver a luz.

 

Resumindo a ópera, o próprio caminho do rompimento com a parede dura causou lesões, cicatrizes que viraram sabedoria. Vida e tempo, amantes perfeitos quando se tem paciência. Vivi e estou vivendo.

Mesmo sabendo que o amanhã não será doce, escolhi aproveitar o amor que me vê nos olhos. Existe um certo peso em ler as linhas que ninguém vê. Assumi pra mim as cores, que aos poucos tocam minha pele nua na manhã de um novo dia.

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Noites

Existem noites em que quero escrever pra ti, mas não consigo, não é que não te ame ou não te deseje. Reverso disso. Te quero tanto que algo me impede de te entender.

Um escritor perde noites escrevendo para entender o mundo e a si mesmo, é como um cego que para ver requer o tato. Escrever é um processo antropofágico.

Talvez por isso seja tão difícil preencher as linhas quando ao decorrer da noite você rouba meu edredom e sorri ainda dormindo. Pronto fui fisgado, virei menino.

Esse meu jeito torto de querer bem. Talvez seja meu ‘Vênus em Peixes’ que freneticamente canta que o amor é um robô gigante! Ou talvez sejam os doces nomes pelo que você me chama.

A verdade é que existem momentos que eu prefiro guardar na mente ao invés do caderno. Momentos só meus.

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