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Nome da Coisa Posts

Pronomes

Ele desejava Você. Ele, embora calado e sorridente, queria mesmo é ver Você sem roupa, de quatro e gemendo, enquanto Ele com a língua ia da nuca pra baixo.

Você ficava ali, sem tempo, correndo e morrendo aos poucos. Você sorria, e às vezes Ele imaginava que esse sorriso era só dele. Você ali parado com o coração no braço.
Ele só queria sentar com Você e contar as coisas de uma viagem a toa, beijar a boca, tirar a roupa e ver Você dormir.
Ele só queria comer Você e era só Você que Ele queria comer.
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Outros Aires

Foto por Leco Vilela


Sono agitado, coração acelerado, curiosidade a mil. O avião decola. Três horas depois, outro país, outra cultura; latinos iguais, mas completamente distintos. Seus rostos mais europeus do que os nossos, sua língua rápida e cheia de expressões e fortes articulações.
É da janela do ônibus, que me tira do aeroporto, que vejo os prédios correrem pra trás. Um ar decadente se espalha por Buenos Aires. Charmes antigos e mal conservados nas periferias da capital.
Muitos passos e muitas esquinas depois; lá vou como gosto de estar, caminhando com minha câmera na mão. Sacando histórias e contanto imagens.

São dezoito horas, a 9 de Julio se enche. Barulho. Mesmo assim as ruas não param, o ar se respira e a beleza se instala. Cidade pós-apocalíptica.
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Eles choram

Foto – Derek Fernandes

Ele corria pelo asfalto áspero da cidade, seu tênis puído pelo tempo já sabia o caminho. Correu como uma criança que foge do monstro que vive embaixo da cama. Sua boca soltava fumaça de ar frio.

Amassado no bolso de sua calça uma foto em preto e branco, um corpo suave delineado pela luz de uma grande janela. Nunca mais tocá-la. Ainda existe o desejo de salgar a boca entre suas pernas e no entanto, ele corria.

Talvez tenha corrido durante toda a noite, talvez ainda continuasse a correr. A camiseta de banda suada e em seu olho garoa.
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Cinza

Leco Vilela

Não existe mais contraste entre os prédios e o ar se torna visível de tão pesado. Essa nuvem cinza que domina o inverno paulista sufoca.

São Paulo nunca foi cheia de cores, mas no inverno seco a cidade se reflete anêmica. Quando chega à tarde, o Sol só faz doer os olhos. Não sinto minha pele áspera aquecer.

Não existe horizonte nas manhãs do inverno paulista. 

Existe o motor e a fumaça, a velocidade e o concreto, o vertical e o cianeto. 

Nem os pássaros compõem melodias. Orquestras.

E mesmo entre a pele arrepiada pelo frio e a morte que se apresenta nas folhas caídas no chão, tem um Ipê que pinta em cores a tela cinza.
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Cumplicidade

É no escuro que o amor se faz e o gemido se deita ao lado na cama.
O plástico vira pele e penetra lentamente a alma.
O carinho que vem tênue no braço. Artificial tornando-se real.
O prazer em lugares inesperados, impensados, impossíveis…
São expressões fixas que se transformam conforme o olhar.
São corpos estáticos que se tornam fluídos enquanto se enlaçam.
O Desejo além dos olhos são suspiros mudos que se findam nas coxas.
É a cumplicidade de dois corpos que se habitam.

*Este texto foi entregue a quem visitou a exposição ‘Cumplicidade’ nos dias 3 e 4 de agosto de 2012
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