Skip to content

Nome da Coisa Posts

Ausência

Rio Tietê – São Paulo, SP
Ando sem inspiração ultimamente, ou talvez seja aquele bloqueio criativo que todos falam. Mesmo assim, eu tenho por hábito escrever, mesmo que seja o que está passando pelo minha cabeça, sem a necessidade de um apelo estético durante o processo.

Acho engraçado como as coisas são hoje em dia, os inúmeros recursos da comunicação tornam cada vez mais necessário que tenhamos algo a dizer. Uma opinião sobre algo. Uma versão de um fato, e sendo assim como alguém pode não ter sobre o que escrever?

São nuvens cada vez maiores e mais intensas. Eu sentado na frente do teclado e simplesmente não tenho nada a dizer. Talvez seja isso, talvez seja a falta de assunto em meio a tantas histórias. Talvez seja interessante escrever sobre não ter o que dizer… Será?

Bom, acho que vale a pena arriscar, afinal ninguém pode me culpar por não ter nada a dizer quando todo mundo já diz algo. Os assuntos é que estão gastos. Vou deixa-los descansar para depois ter o que falar, é isso, deixar o assunto respirar para só depois ter o que dizer.

Que música boa essa que tá tocando… Pera. O que eu estava pensando mesmo?

1 Comment

Vagalumes


m78

São onze horas e a lua desenha um largo retângulo no chão do meu quarto. A Janela escancarada é um convite para que o vento resfrie minha pele morena do sol. Estou deitado de bruço e com a cabeça pesada de tanto pensar.
Aproveito que já estou nisso e penso. Penso em como pude deixar o tempo passar assim. Penso em como fui inocente. Penso em como fui inconsequente.
Seu perfume barato colado no lençol da cama. O sono não vem. A cabeça agora pesa tanto que chega afundar o colchão.
Me canso e mando esse tal de pensamento pras cucuias. Cara chato esse que chega sem ser convidado, pesa na minha cabeça e me faz perder o sono.
Eu vou é pra rede fingir que as estrelas são vagalumes que ficaram presos no céu.
1 Comment

Mendoza


Ele balançava a taça de vinho como quem conduzia uma dama pelo salão. Fred Astaire por um momento, pelo menos foi o que pensou. Segurava a ‘moça’ com vigor e segurança.
Ele observava as gotas que escorriam por aquelas curvas. Levava-a até a boca e embriagava-se um pouco mais. Aroma de frutas com notas de chocolate.
A música no salão se espalhava, seu pé subia e descia e seus olhos garoavam conforme sua bochecha se enrubescia pelo malbec de 2011.
Lembra-se de Allen Ginsberg? Pergunta para si e sorri.
A banda pausa enquanto ele escreve.
Leave a Comment

Pronomes

Ele desejava Você. Ele, embora calado e sorridente, queria mesmo é ver Você sem roupa, de quatro e gemendo, enquanto Ele com a língua ia da nuca pra baixo.

Você ficava ali, sem tempo, correndo e morrendo aos poucos. Você sorria, e às vezes Ele imaginava que esse sorriso era só dele. Você ali parado com o coração no braço.
Ele só queria sentar com Você e contar as coisas de uma viagem a toa, beijar a boca, tirar a roupa e ver Você dormir.
Ele só queria comer Você e era só Você que Ele queria comer.
3 Comments

Outros Aires

Foto por Leco Vilela


Sono agitado, coração acelerado, curiosidade a mil. O avião decola. Três horas depois, outro país, outra cultura; latinos iguais, mas completamente distintos. Seus rostos mais europeus do que os nossos, sua língua rápida e cheia de expressões e fortes articulações.
É da janela do ônibus, que me tira do aeroporto, que vejo os prédios correrem pra trás. Um ar decadente se espalha por Buenos Aires. Charmes antigos e mal conservados nas periferias da capital.
Muitos passos e muitas esquinas depois; lá vou como gosto de estar, caminhando com minha câmera na mão. Sacando histórias e contanto imagens.

São dezoito horas, a 9 de Julio se enche. Barulho. Mesmo assim as ruas não param, o ar se respira e a beleza se instala. Cidade pós-apocalíptica.
1 Comment