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Carta para lua cheia
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| Baia de Guanabara – Leco Vilela |
Macarronada
Alguns sábados caracterizados de domingo se escondem nos marasmos de fevereiro. Aqueles corações se suportam entre olhares e sonatas, suspiros e pastas. Abrem-se sorrisos amarelados enquanto o vinho, a cerveja e o café correm pelos lábios ácidos entorno da mesa.
Uma carta para o ano que vem.
Ralamos muito ao longo das nossas vidas, vidas consumidas em anos. Anos que voam muito nos dias de hoje, dizem os jornais, mas acho que sempre foi assim. Estes anos sempre passaram rápidos, nós é que dávamos menos valor a isso.
Quando você começa a perceber as folhas caindo como em um outono acobreado, você se percebe maduro e amadurecendo. Como uma boa garrafa de vinho é necessário tempo para ficar pronta e completar um brunt sofisticado, seguido de uma textura cheia de personalidade. O mundo é governado por sábios.
Evoluir, se tornar melhor, viver… Não é uma questão de ser bom ou mal, de fazer é coisa certa. Não sei se as nuvens no céu tem este preço de benevolências, mas penso no quão fantástico um ser humano pode se tornar. Deixar sua marca no mundo não é fácil, minha avó não lançou livro, filmes, receitas. Mas meu mundo se encontra repleto de suas marcas e histórias.
São essas as peças que contam, passei por muita coisa assim como a todos durante este 2011 e gostaria de aprender ainda mais o valor do silêncio. Namastê.
| Liniers Macanudo |
Chuva Ácida
Não sei ao certo o tamanho da mágoa que se acumula em meu peito, mas sei que boa parte se foi com correnteza que verteu das ladeiras asfaltadas. Em sonetos ácidos minha vida se resume e se expande. Desafio a física a cada respiro.
Louco, poeta e artista. Eis me aqui a contemplar o choroso céu se esvaindo no verão de pedra que só essa terra já batizada de garoa proporciona.
Rios que se enchem de desespero, cachoeiras que quedam com os sonhos de pau-a-pique e papelão. Vivo numa tangente que consome homens inteiros, reduzindo-os a um choro que rasga a pele suja.
Lá se vai mais uma vez a chuva e com ela tudo que lhe cabe levar. Aos excessos que escorrem pela sarjeta áspera da capital.



