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Nome da Coisa Posts

Dora

Ela usava uma saia cumprida a lhe contornar os quadris. Seus cabelos caindo em fitas entrelaçavam-se nos meus dedos largos, eu respirava seu cheiro de orvalho e salgava a boca a cada beijo.
Uma luz ascendente contornava sua pele lisa com uma pelagem rala e o contorno de sua boca vermelha marcada a giz de cera e papel de menino.
Corria, sorria e suava. Vi-te passar ainda menina na rua e hoje mulher te ponho nua. Doce feitiço, tênue olhos de ametistas. Fala-me segredos leitosos no canto da boca. Respiro e me calo.
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Carta para lua cheia

Baia de Guanabara – Leco Vilela
Era meu corpo inteiro que te beijava, não era só eu. 
Não era só sexo, não era só cio e não era só nata. 
Teu beijo tinha cheiro e cor de mar azul.

Teu toque malandro com gosto de uva explodindo na boca.
Teus olhos sacanas me despindo calados.
Teu cheiro suado de garoto maroto, safado.

O problema foi esse, o beijo que me virou do avesso me entortou o braço, me cegou inteiro; foi o mesmo beijo que me encheu de vida.

Pergunto-me como aquilo que me abriu os olhos pode cala-los?

Não foi por medo que subi no cavalo, percebi que não existiria ao teu lado.
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Macarronada

Alguns sábados caracterizados de domingo se escondem nos marasmos de fevereiro. Aqueles corações se suportam entre olhares e sonatas, suspiros e pastas. Abrem-se sorrisos amarelados enquanto o vinho, a cerveja e o café correm pelos lábios ácidos entorno da mesa.

A conversa se estica como a linha do café a escorrer no copo. Lembranças sem sotaque são expostas a portuguesa. As risadas quedam das bocas marcadas pelas histórias de uma vida inteira. Respiro entre os diálogos pensando nas palavras tortas que escorrem pelos dedos.
Acho engraçado essa dinâmica de entes próximos, as conversas soltas ao sugo. Duas faces que se colam, braços que se cruzam e o dedo estancado a chamar o elevador.
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Uma carta para o ano que vem.

Existem pessoas e situações que te gritam cheque. Estes fazem movimento na vida, a essência sutil e tênue da vida. Penso em alternativas que impeçam o mate.

Ralamos muito ao longo das nossas vidas, vidas consumidas em anos. Anos que voam muito nos dias de hoje, dizem os jornais, mas acho que sempre foi assim. Estes anos sempre passaram rápidos, nós é que dávamos menos valor a isso.

Quando você começa a perceber as folhas caindo como em um outono acobreado, você se percebe maduro e amadurecendo. Como uma boa garrafa de vinho é necessário tempo para ficar pronta e completar um brunt sofisticado, seguido de uma textura cheia de personalidade. O mundo é governado por sábios.

Evoluir, se tornar melhor, viver… Não é uma questão de ser bom ou mal, de fazer é coisa certa. Não sei se as nuvens no céu tem este preço de benevolências, mas penso no quão fantástico um ser humano pode se tornar. Deixar sua marca no mundo não é fácil, minha avó não lançou livro, filmes, receitas. Mas meu mundo se encontra repleto de suas marcas e histórias.

São essas as peças que contam, passei por muita coisa assim como a todos durante este 2011 e gostaria de aprender ainda mais o valor do silêncio. Namastê.

Liniers Macanudo
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Chuva Ácida

Ainda me pego a pensar na chuva que cai firme no chão. Existe uma variante quântica na forma como as gotas tocam meu rosto marcado por ângulos fortes.

Não sei ao certo o tamanho da mágoa que se acumula em meu peito, mas sei que boa parte se foi com correnteza que verteu das ladeiras asfaltadas. Em sonetos ácidos minha vida se resume e se expande. Desafio a física a cada respiro.

Louco, poeta e artista. Eis me aqui a contemplar o choroso céu se esvaindo no verão de pedra que só essa terra já batizada de garoa proporciona.

Rios que se enchem de desespero, cachoeiras que quedam com os sonhos de pau-a-pique e papelão. Vivo numa tangente que consome homens inteiros, reduzindo-os a um choro que rasga a pele suja.

Lá se vai mais uma vez a chuva e com ela tudo que lhe cabe levar. Aos excessos que escorrem pela sarjeta áspera da capital.
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