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Nome da Coisa Posts

Bailarina

 Lembra aquele dia
Em que comprei um livro naquela banca vazia?

Deitado na sua cama lia
Enquanto massagem no meu pé fazia

Lembro do seu olhar entre minhas coxas
E o sol que batia em retângulo nas mobílias
Soando ao fundo risadas e fumaças

No computador as linhas de áudio que não entendia
Entre as minhas folhas o diálogo que não compreendia

À noite como nós dois
Ia
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Noturno

Hoje o dia acordou noturno,

A chuva que caia em peso,

Tonelada em meu peito ardia.

(São Paulo é linda depois da chuva,

Mas durante enche o saco, confesso.)

Eu respirava a contra vento

Em meu olho marasmo ia.

Existe algo no intervalo das gotas, algo que resta nos telhados e calhas,

No momento entre um gole e outro do vinho que finda.

Meu corpo nu ao pano branco, a janela aberta cantava em coral a sinfonia das gotas cinza.

Dois corpos e uma alma e meia. Lá se ia a noite transformar-se em dia.

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Um encontro entre dois passados

“Ele se punha ao banco próximo a bancada daquela padaria que se enchia de lembranças. Uma média e o pão de queijo como de costume, levou o copo a boca fechando os olhos.
Gosto de passado doce que assola a língua, e de sobressalto o passado se corporifica em um rosto geometricamente familiar. O outro a ser visto o reconheceu e sorriu. Nada foi dito ao final do olhar. Olhar que abraça, sorri e chora. Ele pagou a conta e foi embora.”
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“Eu ao pé da mesa largava minha mochila num baque grave. Era uma padaria daquelas modernas com sinetas eletrônicas pra chamar garçom. Costumava comer ali após o longo dia de trabalho.
Acho que só agora tomo a noção do baque forte provocado pela mochila pesada, aquele rosto memoravelmente familiar me olhava em interrogação. Era Antônio, ainda estava longilíneo e carregava uma ou duas rugas no canto dos olhos. Sentou em minha mesa e nas próximas 3 horas a conversa fluía como o rio que banhava nossos corpos de criança.”
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Compulsões

Essa via de eternas luzes acesas que sangra o planalto da selva cinza, esconde seus segredos em formas anacrônicas.

Nem mesmo os frondosos arranha-céus serviram para que o macaco bípede alcançasse o céu e seus sonhos. Vejo sonhos transformados em hobbies, vejo dinheiro descendo pelo ralo e ainda tento entender a dança de king kong’s pelos prédios de São Paulo.

Bailarinos executivos e pintores contadores compõem a estranha fauna que aflora na cidade do asfalto. Chega a beirar o surrealismo as imagens que se produzem na sombra dos Homos Operarius. Formigas de terno e gravata enfeitam suas paredes com falsos Picassos e eternas rachaduras insolúveis. Basta-me ver o camaleão que se força a encaixar suas cores a palheta monocromática da sociedade “civilizada”.

Lampadas não iluminam mais, agora servem de sabres de luzes que matam inocentes. Estupro, morte, latrocínio, furto, homicídio; relatos sangrios direto D’antena que invadem os olhos cortados da infância.

Corações batem desesperados numa dança de acasalamento bizarra conduzida unicamente pelo prazer individual excluindo o respeito sagrado do corpo. Leões morrem sozinhos.

Caos e ovos mexidos. E as luzes do planalto da selva cinza ainda brilham a sangrar meus olhos.

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Uma linda mulher

Seus olhos claros e límpidos a destacavam na turva realidade do dia-a-dia. Ela costumava sorrir a quem lhe cruzasse o caminho, de alguma forma sentia que ajudava quando fazia isso.
Não estava de toda errada, afinal ao ver o quadro perfeito que envolve seu sorriso e acentua seu olhar singular homens e mulheres pareciam receber o toque de um anjo.
Ela era assim, amável, carinhosa, e por que não angelical? Mas assim como Terezinha, não demorou muito e foi ao chão, de anjo passou a demônio, de menina do vestido branco virou Geni. Aqueles olhos que antes lhe agradeciam sorrindo hoje a repudiavam em carrancas.
E a origem desse ódio desmedido e dessa raiva inconsciente era uma simples vírgula que ocupava o lugar do traço. Ela não havia mudado e mesmo assim ouvia em coro termos xulos ao passar na rua, eles é que haviam mudado.
Nada mais de sorrisos e nada mais de olhares, somente uma ira ancestral que culminou na morte por apedrejamento da bela moça, aquela que morreu por conta de uma vírgula, de um simples erro gramatical.
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