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Nome da Coisa Posts

Cobre

Era uma tarde sem vento, as nuvens paradas pareciam algodão lá em cima. Buzinas, pássaros, motos e latidos. Fazia barulho, mas numa escala reduzida, como se todo o planeta tirasse um cochilo.

A dúvida pesava sua cabeça, não sabia ao certo para onde ir, o que fazer; estava parado em um tempo de espera e sua ansiedade o levava a loucura. Criava mundos e os destruí conforme esmagava o papel com suas mãos. As bolas, geometricamente imprecisas, cobriam agora boa parte do chão.

Queria ser um gênio, como aqueles que aos vinte e tantos faziam riquezas e renomes, aqueles que ganhavam prêmios sem, aparentemente, fazer esforço algum. Seus dedos corriam ligeiros a espera de uma aventura que não se constrói linearmente, mas só lhe restava o fino papel amassado.

Estava quente e o suor era inerente ao seu esforço físico. Sua pele tomava notas salinas, já estava sem camisas e com o pé nu a tocar no chão, mas mesmo assim seu corpo jorrava. O líquido que escorria por seus poros lhe dava um tom brilhante que ressaltava suas curvas e ângulos.

Silêncio. Frustrado se pós de pé em um pulo, tirou a única peça de roupa que o mantinha no mundo civilizado. Nu caminhou até o chuveiro e deixou que a água gelada caísse sob sua cabeça. Esperou que talvez aquela queda d’água também levasse seu medo, sua impaciência e por que não sua impotência, assim como levava o suor de seu corpo acobreado.
 

De pé e sem pressa se deixou banhar.

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Em mar aberto

Rio de La Plata – Argentina

E quando você olha para o lado e nada mais te segura, você pula?
 
Pensar em pular já é um ato de coragem, alguns nem mesmo perceberiam essa janela. Mas você percebeu e agora pensa, será que eu pulo? Será ?

Chegar neste momento da escolha já representa um rompimento, afinal você está consciente da questão. Decidir ignorar o desejo do salto também é um ato consciente, logo independente do que você escolha, pular ou não pular, existe o você antes e depois da vontade.

Portos só servem para descarregar, o resto é mar.
 
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SacoCheio.com


Frida Kahlo

A verdade é que eu fico horas atualizando a timeline na esperança de que algo incrível acontece, de que alguém incrível me conheça, de que talvez o universo desapareça.
Conto quantos seguidores eu tenho, quantos amigos mantenho, quantos + se agrupam nas minhas produções. São likes que se tornam dislike. Na vida real não existem downloads.
Eu espero aqui sentado que a vida acompanhe meus dedos e se torne algo interessante a ser contado. São mais de vinte palavras por segundo.  “Oi, tudo bem? Novidades?” e aí está o começo de boa parte das minhas conversas.
Tem as caras no livro, tem os piadores, tem os compulsivos por murais e é claro tem os ouvintes crônicos. Ta ficando um pouco chato isso tudo.
Tá ficando sem graça isso tudo.
Tá broxando a cada tecla.
Tá desaparecendo.
Tá indo.
Foi.
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Uma carta para você,


Foto André Medeiros Martins

Eu só queria ver você sorrindo ao olhar pros meus olhos. Ouvir você suspirar palavras marcantes enquanto eu abro o zíper da sua calça e te masturbo como quem toca um instrumento em busca de uma nota única.
Ver suas bochechas rosarem enquanto pego a sua coxa com força e puxo contra a minha.
Sentir teus pelos roçando nos meus enquanto você vira os olhos, morde o lábio e solta um gemido baixo.
Ver sua pele arrepiar enquanto eu beijo sua nuca e meto minha pica entre suas nádegas brancas.
Você se liquefazendo entre meus braços, gemendo, gritando, mordendo. Pedindo mais.
Eu delirando a cada segundo dentro de você. Bombada após bombada, só querendo gozar na sua cara e ver você sorrir.
*Em homenagem a “Cartas Pornográficas de James Joyce”.
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Renata


Logo que eu a vi meu coração deu três pulos. A regata amarela mostrava levemente seu ventre quando levantava os braços. Cabelos bagunçados, lápis no olho e boca seca.
Sorriu com o canto da boca quando percebeu meu olhar.  Sua perna coberta por um jeans rasgado tocava a minha. Enrubesci. Ela destacava-se entre os vagões.
Tinha um ar imponente e ao mesmo tempo casual, suas unhas vermelhas e o allstar branco já sujo do dia-a-dia, ampliavam este ar de garota urbana. Sem frescura. Bruta e suave.
Quis dar-lhe um beijo, mas só me restou a timidez. Quis dedicar-lhe momentos mais longos, dobrar o tempo e estender a margem, deitar em teu colo e lamber-te de baixo pra cima. 
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