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Nome da Coisa Posts

Jogos não fazem sentido

Posso até ficar calado e fingir que não te quero, e dessa maneira tosca te conquistar pra mim, mas não me peça pra ocultar tais verdades dos meus olhos, pois assim não sou capaz de mentir.

 

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Coxas

Prefiro te ver com o sol entrando pela janela do quarto, do que te ver como um sonho efêmero. Prefiro seu cheiro no travesseiro do lado, do que achar você em outros braços. Prefiro ser o beija-flor, que volta todo o dia pra te beijar os lábios.

A verdade é que entre tantas cartas de amor desesperadas, me vejo a te querer de forma simples e te querendo nos mínimos detalhes te libertar pra mim. Quero te dizer coisas leves e olhar em teus olhos doces. Quero o peso da sua mão na coxa.
Algumas coisas só cabem ao amor literário, que encorpado e forte como um vinho, quente e ardente como a vela na mesa de centro, te vira os olhos enquanto a noite cai.
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Cabe o silêncio a certas coisas. É como tirar o pó dos móveis imóveis na sala de estar. Calado e atento eliminando cada milímetro de poeira que se esconde por de baixo das estatuetas.
Esse ritual lento de limpar as coisas é um reflexo da nossa necessidade de vida. É necessário levantarmos os órgãos para tirar o pó que se guarda por de baixo deles. O mundo me parece surpreso com detalhes que não se escondem em segredos, mas sim em atos corriqueiros que passam despercebidos.
A vida tem seus momentos confusos e conturbados, existem dores imaginárias que se mostram como flechas vermelhas que atravessam o estômago da gente. Existe algo que ainda dói, embora ainda não saiba bem o que ou onde essa poeira de dor se esconde.
Se limpa até mesmo embaixo das unhas. Um dia esse pó há de sair, nem que seja após cada molécula se tornar novamente pó.
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Aquela Casa

No meio de um intenso labirinto feito de folhas verdes existe uma casa. Uma casa serena, cálida e calma. Ali dentro afastada de tudo e de todos, só é possível chegar após muito esforço.
Dentro da casa quem diria. Uma lareira e mensagens de boas vindas era acolhedor afinal aquele casebre antigo. Uma paisagem oposta aos espinhos e venenos postos do lado de fora, ao longo do labirinto. Nas paredes da casa quadros pintados e pregos ainda vazios. Uma música boa tocava ao fundo e em cima da mesa uma taça de vinho do porto para expressar o gosto do sujeito oculto.
Eram três quartos ao longo do corredor que se encontrava no final da sala, no primeiro brinquedos antigos, puídos, uns de madeira e outros de pano. Alguns estavam manjados do tempo, o tempo sempre deixa suas marcas pintadas em tom sépia. No segundo quarto uma cama apenas, o resto vazio, era larga de lençol branco e macio, ninho intacto e sem janelas, coisa essa que ainda precisava ser construída. No terceiro quarto uma alegria invadia, eram balões e confetes que minavam das mãos de pessoas sem faces.
A casa todo cheirava a chá com biscoitos, não era nem quente nem fria, era na medida certa confortável e aberta para o vento tocar por carinho levemente a pele. Era como um abraço de saudades após anos de distância ou o primeiro beijo de enamorados que soltam faíscas.
Não era lá uma casa muito engraçada, mas era tênue, leve e amada.
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Uma carta para “O” macho

 

Vejo homens perdidos entre suas próprias espadas, lançando tiros de espingarda, cuspindo no chão. Ser macho é isso então? Um punhado de feições rudes e ásperas desilusões.

Ser homem é isso então? Pois então, sou homem de contramão. Não preciso ranger meus dentes para me mostrar valente.

Tirar seu sangue a murros, me expor em alguns muros, suar e estar sujo. Ser pai é isso então? Fugir da mãe pra puta e depois voltar correndo sem ter coragem de dizer qual mulher que quer na mão. Ser ômi é isso então?

Arrancar os dentes de algum demente, partir a foice corações como quem estripa uma mulher. Seu pau serve pra isso então?

Aos homens brasileiros, machitas, violentos, desrespeitosos e normativos. As mulheres brasileiras que se permitem o soco sem requerer justiça e espalha o orgulho de um filho macho pelo mundo. Aos pais que sangram as doenças entre as coxas de tantas outras. As mães que mostram as suas filhas as sete formas de se ter um homem que não lhe respeita, mas te alimenta.

Ao povo que assiste a este massacre calado, que não se levanta contra as ondas sangrentas do machismo tupiniquim. A população que permanece calada e assiste sentada as mortes frias da televisão.

Não preciso de pinto, não preciso ser homem, não preciso estar macho… Me conjugo em outro verbo caso seja necessário.

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