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Nome da Coisa Posts

O Rio de Janeiro continua…

Tem pouco tempo que voltei do Rio de Janeiro e sem esforço me pego a pensar sobre a violência e a força do crime existente naquela cidade.

Eu não fui assaltado nos 3 dias que passei lá, mas foram 3 dias atento e apreensivo. Na minha última noite no Rio, no ónibus à caminho da rodoviário o motorista dirigia rápido e só parava em pontos com mais de uma pessoa, por cautela certeza… Imagino quantas vezes eles não foram assaltados.
Observei muito a vida do carioca e o ritmo da cidade no tempo em que fiquei por lá, sem dúvida acima da violência, o que deixa o crime mais
forte é o mito da violência. Você vai ao Rio de Janeiro sabendo que pode ser assaltado, mesmo antes de chegar lá. Você chega lá e fica sabendo de pessoas que já perderam mais do que objetos caros, tudo isso contribui para um estado de alerta, um estado de sitio, onde o medo domina cada membro da sociedade, até mesmo o pobre. Definitivamente os comunistas presos em presídios comuns durante a ditadura, ensinaram mas do que estratégia de organização, ensinaram a pensar e ensinaram que o terror psicológico é de longe maior do que a violência fisíca.
Hoje o crime domina a cidade maravilhosa, e por mais real que essa situação seja não posso deixar de pensar em Gothancity, cidade defendida pelo cavaleiro mascarado e o quanto ele luta pra limpar a cidade do crime.
O Rio precisa mais do que um Homem Morcego, o Brasil precisa mais do que um super herói, precisa de pessoas ativas, precisa de coragem, precisa de limpeza, precisa de consciência. As mudanças começam por você e ao seu redor.

*Foto por Leco Vilela

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Pesto

Ando com tanta fome nesses últimos dias, uma larica sem fim, no fim das contas. Fome de tudo, fome de mundo. É como se de repente eu tivesse me dado conta de quão grande é o mundo e de quão pequeno sou eu, e nessa imensidão de mundo, não me sinto perdido, mas sinto fome, fome disso, sede disso. Quero comer tudo de garfo e faca, de colher, de mão. Tenho fome isso é fato e eu quero comer o mundo inteiro e dane-se a indigestão do dia seguinte, nada que um engov não resolva, ou eu boto pra fora, visceral talvez, mas real, sem dúvida real, a fome é real, é mais que suposição, que abstração, é real.

Será que alguém pode me ver um pedaço de mundo ao molho pesto? Porque se ninguém puder, não tem problema… Eu mesmo faço, nunca tive medo de mão na massa, não vai ser agora que eu to com fome que vou me fazer rogado, eu quero a poeira, eu quero a estrada, eu quero a vida que eu deixei fugir por todos esses anos, to aqui vivo, de peito aberto e saiba que se tu – vida – não vens, vou eu!

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Subway

… É! São Paulo sempre surpreende, sempre tem das suas, o transporte público então, com suas desgraças, onde o vagão do mêtro parece uma lata de sardinha que se abre a cada estação… muitas vezes melhora o meu dia.

“Hoje é sexta-feira dia 30 de Outubro de 2009, são exatamente 7h42 e nesse horário já fiz muitas coisas, o mêtro está parado o que me dá mais tempos para essa resenha.
Bom, hoje acordei cedo pois as 6h44 chegava à São Paulo um pedaço do Rio de Janeiro, no caminho para a rodoviária, prensado entre corpos na lotação que me leva até a estação tucuruvi do mêtro, começa a tocar uma música do Jack Johson e o senhor atrás de mim começa a rebolar ao ritmo da música, com sua bunda ligeiramente grande – irresistível não se deixar rir da situação, “coisas de cidade grande” , vai saber?.
Depois de encontrar meu pedaço do Rio, sigo para a faculdade. No mêtro em pé diante de mim, um casal de [d]eficientes mentais se beijam, brincam de cocegas, sentam no colo um do outro, sem o mínimo de puder de serem felizes, sem querer me pego a sorrir descaradamente e achando graça me senti parte dessa grande metrópole que por mais cinza, cimentada e com um mêtro com sérios problemas, pois parou novamente, bate e circula quente como um coração.
São Paulo pode sim ser a terra da garoa, do trem das onze, mas é muito mais que isso, que cimento, é mais carne, é vida, é amor em meio de tanta correria.”

Atenciosamente,
Leco Vilela
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Poderes estranhos dessa tal Primavera

O tempo em São Paulo continua louco e a cidade continua impermeável, mas ainda assim São Paulo continua com seu charme e sua classe cinzenta, ela continua a mesma.
As vezes paro pra pensar nessa beleza estranha que essa cidade tem, na paz que eu encontro no meio do barulho dos carros, no meio desse caos e pessoas no modo randomico, e por óbvio caiu na grande diferença entre Rio de Janeiro e São Paulo, agora com motivos mais pessoais pra isso, e sempre me pego a fazer analogias, comparações, suposições. A mais nova delas tem sido comparar Sampa como uma mulher moderna, que não para nunca, que tem filhos ou não, que tem maridos ou não, que vai pra luta e depois volta pra casa ou não; e o Rio de Janeiro como um homem, seu clima quente, seus segredos, suas omissões, seu bem viver, sua “preguiça” – no bom sentido é claro.
Pois é… Tipos bem diferentes de pessoas, mas ainda sim brasileiros, alias o que mais temos nesse país são outros países, se me permitem o jogo. Independente de Rio, Sampa, Aracajú, João Pessoa, primavera aqui no Brasil é primavera e os amores seguem loucos.

*Fotografia – Leco Vilela

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Bangu

Estamos em término de processo com o “Meu Pé de Laranja Lima”. Acertando os últimos impasses técnicos e já a procura de locais para a apresentação, mesmo alguns estando pré-definidos. O processo foi bem interessante e caminhamos por um espaço criativo que motivou a experimentar e a expandir o papel criador, tanto no “ato” de atuar quanto na parte técnica de produção.
Pra quem não sabe ou não se lembra, já trabalhei com essa peça e nesse momento retomamos com uma nova roupagem, uma nova forma de contar essa história, e espero realmente que tenhamos os resultados que tivemos nas últimas apresentações, de preferência ainda melhores.
Essa história de uma criança que se torna “adulta” com seus 5 anos de idade, me remete a tantas coisas que acontecem nessa tal pós modernidade, tanto a questão do abuso infantil (sexual e trabalho) quanto ao infanticidio e a descaracterização sócio-sexual dos pré adolescentes da classe média. Mas ainda assim há história pra contar, há mágica pra se ver, ilusões pra se criar, e é por isso que estamos lutando.
Somos um organismo vivo e como aprendi nessa semana, muitas vezes nos deixamos cair por culpa de uma simples mitocôndria. (“O que nos faz infeliz e depressiativos é uma maldita mitocôndria” – Regina Rodrigues). Então o que me resta agora é continuar nessa roda gigante onde se empurra e é empurrado.

*Foto por Leco Vilela

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