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Nome da Coisa Posts

Sinto…

Foto: Leco Vilela / Edição: Camila Stella
Sinto falta de um país singelo, sem medo e com zelo pela alma alheia. Sinto falta dos bons tempos de menino, onde o pique era um poste e não blindagem para te proteger dos inimigos.
Sinto falta de acordar ao som de pássaros no pé da minha janela, sinto falta de sentir a respiração do vento, de ouvir a árvore falar. Sinto falta das sutilezas, dos detalhes, do tempo.
Saudosismo que não é só meu, que vejo em vários cantos e ouço em outros cantos. Esse jeito de viver a vida assim calado, amado, mesmo que por si, é um jeito nostálgico de querer de volta a vida que me foi roubada, é do sútil que tenho falta.
Daquele sorriso faltando um dente de leite, do cheiro de bolo a gritar no forno, sinto falta não da minha juventude, nem dos meus tempos de menino, sinto falta é das crianças que enxergam vilas em caixas de sapato.
Parece que de um jeito torto o mundo perdeu o posto, perdeu respeito, perdeu amor. Parece que no fundo do mundo só a lava e não outro mundo, como há tempos atrás se dizia. Parece que tudo perdeu a magia. E aquele menino mirrado, que mesmo apanhando continuava a conversar com a sua árvore, ficou esquecido e empoeirado nas estantes do tempo.
Sinto. Por isso escrevo este manifesto de peito aberto, pela retomada do simples afeto, pela volta de algo simplesmente belo, por algo simples e não complexo.
Foto: Leco Vilela / Edição: Camila Stella
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Cidade de Gelo – Capítulo 7

Andando pelas ruas do centro de São Paulo, ela percebeu a garôa provocada pelos ares-condicionados que vazavam das janelas dos grandes edifícios.


Ela andava despreocupada a receber esta chuva criado pela homem, sem se incomodar. Seu vestido colorido e esvoaçante a destacavam das demais mulheres em tons cinzas e pasteis. Parou assim que chegou ao Largo do Aroche, eram exatamente 18h e o centro antigo começava a escoar pelo metrô.

Estava diante da floricultura de rua. Entrou. Sentia o perfume e o tato que as pétalas e folhas lhe provocavam. Escolheu por óbvio flores silvestres, simples assim como ela. 

Pegou seu buquê e ficou a espera de algo, logo em frente a floricultura. Viu do outro lado da rua, vindo em sua direção o seu coração, aquele que ela tirou do peito. O coração vinha em sua direção brincando de câmera lenta, como nos filmes antigos. 

Ela também usava um vestido, era florido e a alça lhe caia sobre o ombro, deixando evidente seu pescoço nú que pulsava. Se beijaram. Naquela noite soubesse de boatos que Vênus encontrou o seu reflexo.
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Mombojó comemora 10 anos com show agitado

A noite de sabádo,26, prometia, no lounge a espera do show de 10 anos do quinteto Mombojó, tudo parecia tranquilo, sem grandes multidões. Os garotos pernabucanos preparam 2 repertórios distintos para as duas apresentações comemorativas.

O show começou com 10 minutos de atraso, mas a tranquilidade do lounge se fora, mais da metade da platéia estava ocupada. O público conversava despereocupado parecendo não se incomodar com o leve atraso, mas a ansiedade era visivel, ao primeiro som do microfone todos se calaram.
A banda abriu o show com a agitada “Amigo do Tempo”, que leva o nome do novo álbum dos rapazes. Não demorou muito para que a galera que assistia ao show ocupasse as laterias do palco, o que não podiamos esperar é que logo na terceira faixa “Duas Cores” toda a extensão do palco fosse ocupada pelos fãs do grupo, mas é claro que não parou por ai, afinal o acesso a platéia foi ocupado por pessoas em pé embaladas ao som de Mombojó.
Destaque para a participação mais do que especial de Vitor Araújo, um pianista maravilhoso que encantou a todos com sua força, seu domínio e seu estilo tenso de tocar. Vitor acompanhou a música “Báu” junto com todo o grupo, o pianista foi aplaúdido e aclamado por toda platéia.
A iluminação do show integrava os espectadores colocando-os como parte do espetáculo. Enquanto o jeito desengonçado de dançar de Felipe, arrancava gritos de alguns pessoas pela sala. O vocalista se deixou levar pela música “Faaca”, que levantou toda a platéia, dando até uma cambalhota em meio aos seus passos que me lembraram por um instante de Ian Curtis, vocalista do Joy Division.
E assim como começou, terminou, Felipe, Marcelo, Chiquinho, Samuel e Vicente, sairam pelo lado direito do palco, com suas cervejas nas mãos e com o sour que descia de seus corpos. Foi um ótimo show.
* Texto publicado no site Dynamite Online
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A Lembrança

Por Leco Vilela

Hoje passei em frente a casa do meu primeiro namorado, primeiro mesmo, daqueles que se anda de mãos dadas no parque.

O sol forte a iluminar meu rosto, me faz voltar uns quatro ou cinco anos. Lembrei-me de nosso primeiro encontro, ele havia cozinhado para mim, ainda sinto o gosto dos legumes banhados no azeite com alecrim. 
O cheio forte e característico, tomava conta de praticamente toda casa, o incenso que queimava na sala misturava as fragancias com harmonia.

Depois do vinho e do jantar me pos deitado em sua cama, tirou minhas roupas deixando em meu corpo somente a cueca que se salientava. Me abraçou, me beijou e sorriu, dormimos assim com o peito colado a sentir as batidas sonoras de um coração.

E assim como veio, se foi. Uma nuvem havia coberto o sol, me trazendo de volta dos meus devaneios. Percebi o quanto eu evitava mimos e carinhos desse meu herói Guarani. Não é que eu não gostasse ou me irritasse com seu toque, era algo que no intimo só percebo agora. O avesso ao carinho do toque era falta de hábito, fruto de uma infancia fria e desabitada da mão que corre a face em gesto lento.
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Carta para o céu – O Avesso do Mundo

Hoje eu vi na tevê que o bicho que vive no centro da terra não para de ser mexer, ele deve estar tendo um pesadelo.

O ruim é que ele deve ter acordado o bicho que vive no mar, pois esse, nervoso pois-se a espirrar. O bicho do mar deve estar doente e talvez por isso tenha se irritado tanto, afinal ser acordado pelo irmão quando não se sente bem é de se deixar revolto.

Dessa vez a terra dos olhos puxados sofreu sem ao menos ver a cara dos monstros, mas acho que logo estará tudo bem, afinal quando um monstro destruía Tóquio, na tevê, na semana seguinte a cidade já estava inteira, prontinha para vir outro monstro e destruir tudo de novo. Pensando bem, eles devem estar acostumados com isso.

Já aqui no Sul dessa terra que já foi verde, as cidades parecem feitas de açucar, pois se destroem a cada chuva. Enquanto lá do outro lado do mundo super heróis brigam contra monstros gigantes, aqui desse lado só nos falta é guarda-chuvas.

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