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Green Man

No peito aquele vazio complacente que se segue inerte, não transborda e nem seca. Apenas palavras vagas e um sentimento tosco de normalidade. Minhas mãos cravam a terra e a sujeira embaixo das unhas não mais me incomoda. É como se o mundo tivesse virado algo mais simples, mas não por isso mais fácil.

Sinto a dor que tenho que sentir e não mais a aquela angústia sufocante que afoga. Estou removendo aquela voz incessante que me impede de chorar – “seja homem” – estou sendo, e minhas lágrimas seguem ao meu lado. Tenho aprendido a ser frágil.

Tive que ser guerreiro por muito tempo e não herói. Aquele que suja a mão de sangue, não por glória ou honra, mas porque precisa, pois esse foi seu caminho. As estradas mudam.

Existe um mito antigo sobre as faces do Deus, aquele que caça, aquele que cultiva e aquele que guia.

Acho que chegou a hora de baixar o escudo e deixar morrer para renascer, florir o que tiver que vir.

Crises, Sem categoria

Ansiedade

Você tenta respirar fundo, tenta se concentrar apenas na sua respiração, daquele jeito que você aprendeu, que você sempre fez, mas tem vezes que a onda é tão grande que passa por cima de você.

Milhares de coisas passam pela sua cabeça ao mesmo tempo. Medos, anseios, dúvidas, angústias, alegrias, teorias, etc. Quando você se da conta nem respirando você está. Suas mãos e testa suam, seus olhos só enxergam o caos da sua mente e você sente seu corpo afogar num mar de emoções. Você está a deriva, em mar aberto.

Você pensa que é forte e que já passou por crises maiores. Você quer acreditar que é forte e que já passou por crises maiores. Você precisa ser forte e passar por só mais essa. Seu corpo inteiro pesa, você quer chorar e gritar. Grito mudo que ninguém ouve.

Segura firme o gelo entre as mãos e acolhe. O frio arde, mas você aguenta. Por favor passa, só dessa vez, passa sem levar minha sanidade contigo.

Na maioria das vezes ela passa, mas algumas vezes ela finco os pés no peito e fica.

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Antônio

Antônio era assim, branco de seus 35 anos e cara de poucos amigos. A barba rala lhe dava um ar largado, facilmente confundido por vagabundo pelas senhoras da boa sociedade. 

Antônio era dono de uma loja de discos, no centro da cidade. Reduto da juventude que a muito tempo ele deixou de contemplar. Vivia assim, ouvindo seus LP’s e conversando sobre música com as poucas pessoas que ele suportava.

Antônio não tinha filhos e nunca havia se casado. Seus pais moravam em outra cidade e secretamente, ele gostava disso. Agora ele estava numa fase meio blues e ouvia de tudo, mas sua favorita ainda era a Bessie Smith, embora ele não admitisse em voz alta.

Antônio era chato. Ele não gostava das coisas que a maioria gostava e tinha lá suas manias. E pra ser sincero a única coisa que fazia Antônio sorrir, era quando a calcinha que usava por de baixo da calça jeans, atolava.

Assim vivia Antônio, com a calcinha cavada no cú ao som de “St. Louis Blues”.