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Bento

Era uma manhã de sol que virou tarde de chuva, a brisa verde saia de sua boca e se misturava com as cores mistas que só um dia como esse oferece.

Bento estava na sacada contemplando a dança entre o sol e chuva que se formava. Enquanto se arrumava pra romper o casulo da manhã e por os pés na rua. Chamou um carro.

Tamanha foi sua surpresa ao entrar e ouvir os primeiros acordes de My Funny Valentine do Sinatra. Por um minuto achou que sua vida tinha se tornado um musical hollywoodiano, em que ele e o motorista faziam um dueto com a banda ao fundo.

O carro ia depressa enquanto Bento e o motorista trocavam figurinhas sobre cantores de outrora. Dia incomum, pensou Bento (e o motorista também).

Desceu em frente a um café com a chuva já tocando o chão. Pediu um chocolate quente, uma água fora do gelo e escreveu em seu celular uma história, uma reprodução lúdica do dia que teve até o dado momento. Chamou seu protagonista de Pedro.

Ao terminar sua escrita encostou a boca na taça de chocolate, que ainda estava quente.

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Green Man

No peito aquele vazio complacente que se segue inerte, não transborda e nem seca. Apenas palavras vagas e um sentimento tosco de normalidade. Minhas mãos cravam a terra e a sujeira embaixo das unhas não mais me incomoda. É como se o mundo tivesse virado algo mais simples, mas não por isso mais fácil.

Sinto a dor que tenho que sentir e não mais a aquela angústia sufocante que afoga. Estou removendo aquela voz incessante que me impede de chorar – “seja homem” – estou sendo, e minhas lágrimas seguem ao meu lado. Tenho aprendido a ser frágil.

Tive que ser guerreiro por muito tempo e não herói. Aquele que suja a mão de sangue, não por glória ou honra, mas porque precisa, pois esse foi seu caminho. As estradas mudam.

Existe um mito antigo sobre as faces do Deus, aquele que caça, aquele que cultiva e aquele que guia.

Acho que chegou a hora de baixar o escudo e deixar morrer para renascer, florir o que tiver que vir.

Crises, Sem categoria

Ansiedade

Você tenta respirar fundo, tenta se concentrar apenas na sua respiração, daquele jeito que você aprendeu, que você sempre fez, mas tem vezes que a onda é tão grande que passa por cima de você.

Milhares de coisas passam pela sua cabeça ao mesmo tempo. Medos, anseios, dúvidas, angústias, alegrias, teorias, etc. Quando você se da conta nem respirando você está. Suas mãos e testa suam, seus olhos só enxergam o caos da sua mente e você sente seu corpo afogar num mar de emoções. Você está a deriva, em mar aberto.

Você pensa que é forte e que já passou por crises maiores. Você quer acreditar que é forte e que já passou por crises maiores. Você precisa ser forte e passar por só mais essa. Seu corpo inteiro pesa, você quer chorar e gritar. Grito mudo que ninguém ouve.

Segura firme o gelo entre as mãos e acolhe. O frio arde, mas você aguenta. Por favor passa, só dessa vez, passa sem levar minha sanidade contigo.

Na maioria das vezes ela passa, mas algumas vezes ela finco os pés no peito e fica.