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Crises, Sem categoria

Ansiedade

Você tenta respirar fundo, tenta se concentrar apenas na sua respiração, daquele jeito que você aprendeu, que você sempre fez, mas tem vezes que a onda é tão grande que passa por cima de você.

Milhares de coisas passam pela sua cabeça ao mesmo tempo. Medos, anseios, dúvidas, angústias, alegrias, teorias, etc. Quando você se da conta nem respirando você está. Suas mãos e testa suam, seus olhos só enxergam o caos da sua mente e você sente seu corpo afogar num mar de emoções. Você está a deriva, em mar aberto.

Você pensa que é forte e que já passou por crises maiores. Você quer acreditar que é forte e que já passou por crises maiores. Você precisa ser forte e passar por só mais essa. Seu corpo inteiro pesa, você quer chorar e gritar. Grito mudo que ninguém ouve.

Segura firme o gelo entre as mãos e acolhe. O frio arde, mas você aguenta. Por favor passa, só dessa vez, passa sem levar minha sanidade contigo.

Na maioria das vezes ela passa, mas algumas vezes ela finco os pés no peito e fica.

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Antônio

Antônio era assim, branco de seus 35 anos e cara de poucos amigos. A barba rala lhe dava um ar largado, facilmente confundido por vagabundo pelas senhoras da boa sociedade. 

Antônio era dono de uma loja de discos, no centro da cidade. Reduto da juventude que a muito tempo ele deixou de contemplar. Vivia assim, ouvindo seus LP’s e conversando sobre música com as poucas pessoas que ele suportava.

Antônio não tinha filhos e nunca havia se casado. Seus pais moravam em outra cidade e secretamente, ele gostava disso. Agora ele estava numa fase meio blues e ouvia de tudo, mas sua favorita ainda era a Bessie Smith, embora ele não admitisse em voz alta.

Antônio era chato. Ele não gostava das coisas que a maioria gostava e tinha lá suas manias. E pra ser sincero a única coisa que fazia Antônio sorrir, era quando a calcinha que usava por de baixo da calça jeans, atolava.

Assim vivia Antônio, com a calcinha cavada no cú ao som de “St. Louis Blues”.
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Presente


Sento agora no alto de um edifício de três andares. Atrás de mim a lua se faz crescente.  Encanta-me o anoitecer dessa cidade.  O sol parece gostar muito daqui durante o verão, ele só cai na margem do mundo lá pelas oito e meia da noite. Noite que aqui ainda é dia, engraçado, não? 
A cidade aqui é quieta, ainda mais se comparada à selva de pedra. Existe barulho, claro, mas a ausência daquele som distante, som de gente correndo, essa ausência faz a cabeça ficar mais leve.
Venta agora e o escuro vai tomando conta. Tem um cheiro de páprica doce bem forte, deve vir do bar que fica no primeiro andar desse edifício. Aqui do alto é possível ver as tevês ligadas no jornal nacional. Uma senhora se empenha em olhar pela janela e no outro prédio um homem permanece parado em frente a uma planta. O que ele faz?
Escureceu mais e parece que o vento gostou disso, pois ele passa mais forte por entre meus braços. Risadas de bar podem ser ouvidas. Tem uma árvore que parece dançar com o vento e de repente uma andorinha passa por mim num rasante. Espanto-me e sorrio. A minha direita tem um casal na varanda, não consigo ver mais do que as silhuetas, mas acredito ser um casal mais velho. Conversam. 
O homem ainda está encarando a planta. E no meio de tudo isso, entre outro rasante e as estrelas que brotam do céu, eu estou feliz.