Tag: violência

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Agressão

Vai, soca minha cara! Chuta minha barriga! Atira em mim, VAI!

Você não percebe que a cada tapa, soco ou lampadada que desfere contra mim, você está agredindo a sí mesmo? Ainda não entendeu que você tenta matar em mim a parte de você que te assusta? Está com medo do que?

Você não passa de um menino assustado, teme o que não entende.

Eu tenho pena de você.

Lamento que você não possa ser você mesmo. Se eu pudesse te pegar no colo e acolher toda essa angústia que alimenta seu ódio eu faria, mas não existe no mundo alguém capaz de lidar com isso além de você mesmo.

Esse seu ódio é responsabilidade sua e enquanto você não enxergar que quem está preso contra a parede se debatendo é você e não eu… Esse sentimento não vai passar.

Você não tem o direito de levantar sua mão pra mim.

Me matar não vai matar quem eu sou em você.

Simples assim.

Por isso você pode tentar me bater, me chutar e até mesmo me espancar.

Que ninguém, nem você, vai me dizer como amar.

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Uma carta para “O” macho

 

Vejo homens perdidos entre suas próprias espadas, lançando tiros de espingarda, cuspindo no chão. Ser macho é isso então? Um punhado de feições rudes e ásperas desilusões.

Ser homem é isso então? Pois então, sou homem de contramão. Não preciso ranger meus dentes para me mostrar valente.

Tirar seu sangue a murros, me expor em alguns muros, suar e estar sujo. Ser pai é isso então? Fugir da mãe pra puta e depois voltar correndo sem ter coragem de dizer qual mulher que quer na mão. Ser ômi é isso então?

Arrancar os dentes de algum demente, partir a foice corações como quem estripa uma mulher. Seu pau serve pra isso então?

Aos homens brasileiros, machitas, violentos, desrespeitosos e normativos. As mulheres brasileiras que se permitem o soco sem requerer justiça e espalha o orgulho de um filho macho pelo mundo. Aos pais que sangram as doenças entre as coxas de tantas outras. As mães que mostram as suas filhas as sete formas de se ter um homem que não lhe respeita, mas te alimenta.

Ao povo que assiste a este massacre calado, que não se levanta contra as ondas sangrentas do machismo tupiniquim. A população que permanece calada e assiste sentada as mortes frias da televisão.

Não preciso de pinto, não preciso ser homem, não preciso estar macho… Me conjugo em outro verbo caso seja necessário.