Categoria: Poema

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Poema

Gin com Tônica

Foi no segredo do teu copo que eu encontrei o teu olhar.
Foi no gole seco e cheio de histórias que eu te vi passar.
Equilibrista do meio fio a cambalear.
Dançarina sem ritmo que no faltar da música  pois se a cantar.
 
Cantando a magoa do peito aberto,
Chorando Gin na esquizofrenia de seu sorriso.
Ela flutuava entre os paralelepípedos.
 
Litro por litro e Grand Jeté.

 

coisas, destino, Poema, poeta, Vida

Quiromancia

Quem sabe o que é um poeta? Quem são? Onde vivem? Do que se alimentam? Como se proliferam? A gente não encontra essa resposta no Globo Repórter.
 
Pesa-me as mãos entre as teclas. Não escrevo a muito tempo, deixei minha voz calar na esperança de ignorar a verdade. Não escrevi sobre você, pois sabia que ao faze-lo descobriria seu distanciamento, por isso calei-me.
 
Meu poema pra mim é como a palma de uma mão, onde eu sou a cigana com calos, rugas profundas e cheiro de almíscar. Leio meu futuro e meu passado, entendo meu presente. Entre minhas estrofes sem ordem ou cadência eu me vejo no vagar dos dias. Por isso calei-me, por isso deixei meus dedos mudos nesse tempo em que ficamos juntos.
 
Via a distância dos teus olhos, e sentia tua dificuldade em se entregar pra mim. Também vi você lutar por mim quando a rainha já estava caída, você não gosta de perder.
 
Me conheço, sincero, entre meus versos, cada palavra que solto, escrevo, é uma pedaço de mim que sai. 
Hoje acordei escrevendo sem medo os rascunhos que a muito guardei, minhas dúvidas não cessaram com meu silêncio. Então despi minhas verdades diante das teclas, e deixei fluir meu veneno. Espalhei minhas lágrimas trancadas e deixei a baba escorrer por entre meus lábios. Chorei.
Crônica, Poema, poesia, Vida

Poema

Eu tenho procurado a poesia em cada esquina e talvez esse seja meu erro trágico. Poesia não se encontra em cada centímetro de rua, essa demonstração de si através das palavras, não está somente em uma parede branca e lisa.

Existem concretos tortos que abrigam um número infinito de verbos bonitos para ser mostrado. Ainda há aquele muro escuro e isolado que entre seus tijolos guarda o ritmo leve e a cadência áspera de um bom poema.

É incrível a capacidade humana de enxergar sua própria poesia em pessoas inóspitas. A capacidade de se perceber projetor é um degrau a mais na escala do tempo, espero por isso agora.

Aguardo também pelo dia em que enfim encontrarei substantivos com gosto de mar, não meus, mas  sim aqueles que reverberam leve por cada poro de um corpo sem sexo.

Enquanto esse dia não chega, me contenho com os livros, o vento e a grama molhada.
Amor, Desabafo, Poema, Vida

Coisas

Foto André Medeiros Martins
Existem coisas que me dão uma noção vaga de sentido na vida.

O sabor que toma a boca, o suco da fruta que escorre pelo queixo, o cheiro do seu corpo nos meus dedos, o sol que entra pela janela de manhã, as estrelas pintadas no céu, a chuva que avisa antes de cair e a brisa que me toca quando menos espero.

São coisas singelas, eu sei, mas são coisas, minhas coisas, coisas que me fazem bem.

Como acordar no meio da noite e perceber que, mesmo separados, você encontrou um jeito de quedar-se entre meus braços sem me despertar.

Oração

Ave, mesmo que não seja Maria, cheia de bondosa graça
Somos por vós.
Benditas sóis vós, assim como a todas as outras mulheres,
Bendito é o fruto que é de seu direito ter no ventre ou não.
Santa ou Puta Maria,
Mãe, mulher e menina.
Olhai por vós, as peregrinas,
Que se permita ao gozo eterno,
A livre barriga,
A denúncia
E a vida.
Amém!