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Autor: Leco Vilela

Mutunaz

Você já leu um quadrinho? Nunca leu? Adora as histórias e os enredos de suspense que sempre estão presentes? Enfim quem não gosta de realidades alternativas.
Homem-Aranha, Batman, Sandman, X-men. São alguns dos quadrinhos mais badalados cada um com o seu motivo especifico e é justamente em X-men que se tira a inspiração para um quadrinho que vem atingindo grande expectativa de alguns leitores.
No momento um HQ virtual, mas com um potencial incrível pela frente, com um enredo envolvente e uma história surpreendente, Mutunaz de autoria do designer Adams Rebouças, vem conquistando um espaço considerável entre os leitores. A idéia nasceu em uma comunidade sobre X-men no orkut, os heróis, ou melhor anti-heróis dessa história são baseados nos integrantes dessa comunidade e da atual comunidade do próprio HQ, assim como outras facções supers e alguns personagens secundários. Em sua trama trás uma carga política muito forte, alem de ideais de liberdade para as minorias supers, em seu primeiro episódio os integrantes do grupo raptam os Ministro JJ, o único que sabe a localização do Contêiner 2, uma prisão clandestina para supers; utilizando meios nada ortodoxos para conseguir a informação; e assim começa a trama de uma história que acaba de chegar ao fim do seu primeiro capitulo, formado por 5 edições, que com certeza vai surpreender a todos.
Por isso vale a pena dar uma olhada, você pode achar as revistas para downloads no site oficial do HQ [Mutunaz] e com isso acompanhar os próximos acontecimentos que promete muita pancadaria, traições e lutas por liderança e vingança, eu acho melhor você não perder. Ah! Quem sabe você não me encontra em uma das páginas, e ai vai agüentar a curiosidade?

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Ponto G.

Que o lesbianismo faz parte do grande imaginário erótico masculino todos sabem, alguns até imaginam que não serão bem-vindos, outros nem se mancam.
Parece difícil de entender, mas garanto que também é difícil de escrever, um homem falando sobre mulher, o que diriam então de uma gay falando sobre lésbicas.
Vivemos num país hipócrita e bla bla bla. Tudo o que todos sabem, e a maioria esconde, dizemos e muitos lá fora acham que somos liberais na questão sexual, mas o fato é que grande parte da população ainda convive fielmente com o “papai e mamãe”. Dizemos que não somos racistas, usamos a desculpa da miscigenação, mas o que é fato é que todos têm preconceitos, isto está enraizado na nossa cultura e deve ser combatido, mas enfim voltemos ao enfoque inicial. Por mais que o lesbianismo seja de forte apelo erótico (creio que graças a mídia pornográfica.), elas são deixadas de lado quando o conceito erótico sai de cena, a prova disso é simples, o universo gay tem mais visibilidade do que o universo lésbico. Lésbicas sofrem tantos preconceitos se não mais, e agressões assim como os gays, só que parece que uma parede invisível impede essas informações de serem vinculadas. Sabemos que o ser humano tem medo do que não conhece, logo luta contra, e essa guerra dos sexos machuca, e não só os homossexuais. Mas também é verdade que existe um machismo dentro do meio homo, alem do quesito “bicha e bofe” já muito abordado em inúmeras publicações, têm o machismo lésbico (que não sei se pode ser encarado dessa forma, mas enfim.), muitas lésbicas tentam tanto combater o preconceito na sociedade que esquecem de olhar o preconceito em si, já vi inúmeras vezes gays sendo enxotados ou “tirados” por lésbicas, por serem efeminados, ou simplesmente por serem homens e não estarem na “altura” das mulheres, o que gera um machismo oposto não? (uso o termo machismo mais pelo que ele representa do que pela gramática em si) Um dado importante é que a violência dentro de casa vem aumentando entre as lésbicas. Claro que isso não é geral, ainda bem são raras as vezes que isso acontece, mas o fato é que isso acontece. Outra coisa importante, os travestis masculinos e os transex masculinos, também têm uma causa, pouco conhecida e que devia ser mais vinculada, ser conversada no dia-a-dia, a “visibilidade trans” é um conceito que atualmente se faz presente em grandes debates dentro da comunidade GLBT.
Enfim, fica por aqui, talvez meio vago ou sem fim, mas é que na verdade ainda espero por um fim, por isso deixo tudo meio aberto, nada de laços finais, é uma coisa pra se pensar, pra se comunicar, pra ser assunto em mesa de bar e até de jantar, então vamos fazer assim em forma de apelo, conselho, ou seja lá o nome que você queira dar, faça-se um questionamento pelo menos uma vez ao dia, quem sabe assim alguém não muda, nem que esse alguém seja você, temas é que não vão faltar.

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Anansi do Brasil

 

Solano Trindade, homem, mestiço, negro, militante de sua causa, poeta por excelência, não era de se esperar que fosse o principal nome da literatura (poema) afro-brasileira.
Nasceu em Recife/Pernambuco, no dia 24 de Julho de 1908, filho de sapateiro e de quituteira, Solano vem de origem humilde, trabalha em diversas áreas, desde operário até escritor e poeta, completou um ano de desenho no Liceu de Artes e Ofício e lá pelos anos 40 muda-se para São Paulo, onde vive grande parte da sua vida, morre no Rio de Janeiro, em 1974.
Num País onde há tanto preconceito e racismo enrustidos em nossa cultura, onde os principais escritores negros da história escreviam e agiam como brancos, temos Solano Trindade, que defendia seu ser, que lutava pelo que acreditava, e como todos que assim fizeram, sofreu as consequências, mas não deixou de lutar. Fundador da Frente Negra Pernambucana e do Centro de Cultura Afro-brasileiro (1936) – entidades que tinham a finalidade de divulgar os intelectuais e artistas negros. Em São Paulo cria o TPB – Teatro Popular Brasileiro. Escreveu “Poemas de uma vida Simples” (1944) e “catares do meu povo” (1963).
Ele que ao meu olhar é um exemplo de que ainda vale a pena lutar pelo que se acredita, que quando se cai só nos resta levantar, faço algo que ainda não tinha feito aqui no Nome da Coisa, em forma de uma curta bibliografia mostrar um pouco do trabalho desse artista das palavras e da verdade.

 

TEM GENTE COM FOME – Solano Trindade

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome
Piiiiii

Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá

trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer

Mas o freio de ar
todo autoritário
manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuuu.


Fontes:
– http://www.portalafro.com.br/literatura/solano/solano.htm
– http://pt.wikipedia.org/wiki/Solano_Trindade
– http://www.quilombhoje.com.br/solano/solanotrindade.htm

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2.0

Vivemos num periodo onde a música está estagnada, não temos grandes movimentos, nem grandes inovações.
Talvez seja o Tropicalismo o ultimo movimento realmente provocativo da música brasileira.
Claro que dentro do cenário underground nós temos grandes shows, com performances, e uma presença de palco incrível, mas dentro do cenário comercial fica muito a desejar, as inovações o ato de se arriscar fica por conta das bandas internacionais, parece que vivemos num período de ressaca da música onde tudo fica linear nada de grandes explosões de adrenalina, ou fica no banquinho e violão ou fica na formação clássica de palco, as maiores inovações que tomas é no funk e no electro funk, mas como disse são partes de um gueto, não da mídia comercial, depois de Cazuza e Cássia Eller, não vejo mais nada provocativo, que te faça pular, gritar loucamente, que faça você sair com a sensação de dinheiro bem gasto. Queremos renovações, queremos woodstock, grandes festivais, queremos um carinha de cueca, bêbado e drogado, mas pelo menos fazendo algo, se movimentando, fazendo barulho, vida sabe… Clamamos por renovação, das gritarias dos mutantes, da presença dos Secos e Molhados, da ousadia de Gal Costa, da loucura da Elis Regina, da força do Sepultura.
No fim é isso, quero só saber que vivi numa época de renovação, que valeu a pena ser jovem no aqui agora, ver as coisas mudarem, não uma coisa certinha padronizada, quero mais, quero mesmo é uma calça rasgada.

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Art[e]ficios

Teatro, dança, pintura, áudio-visual, cinema, esculturas, contação-de-histórias, quem faz isso faz arte.
Vivemos num pais onde a arte e a cultura nunca foram levadas a sério, dedos primeiros europeus que cá pisaram a cultura que aqui existia começou a ser desimada, depois disso a arte foi se arrastando, muitas vezes com grandes atos, até o século XXI.
A vida para um artista no Brasil, não é fácil, por que ou você é aclamado por uma mídia ou sua expressão não te sustenta, muitos artistas migram para fora do país a procura de uma oportunidade, onde seu trabalho seja levado a sério assim como o trabalho de um médico, onde as pessoas não te chamem de “mais um sonhador”, mas e o que sobre quando todos vão embora? Se todos os artistas vão para fora do país, o que sobra dentro dele? É uma coisa muito importante a se pensar, já que é uma realidade em que boa parte da população vive, a classe teatral é sustentada pela própria classe a mais de décadas, os grandes espetáculos de dança só alcançam uma certa “nata” da sociedade, a pintura virou trabalho para aposentada, o áudio-visual virou supermercado em multimídia, o cinema só o que é comercial é visto, as esculturas viraram decoração, contar histórias, nem mais para os filhos dormirem, me atrevo a dizer que esse mundo em que vivemos, seria realmente um mundo de faz de contas, onde perdemos todo e qualquer senso do que realmente é importante e não me refiro só a arte, falo, mostro que existe mais, talvez seja esse o significado de “A muito mais entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”. E então o que você faz, quem é você nesse jogo de xadrez, só mais um peão? Ou será uma rainha?…Cheque…

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